Quem nunca se deparou com pessoas contrárias a tudo o que lutamos para ser que atire a primeira pedra.
O causo foi esse: estava em minha mesa de trabalho lendo uma riquíssima crônica do Luis Fernando Verissimo. Virei para minha colega de trabalho e lhe estendi o jornal:
“Leia só que genialidade a desse cara!”
A resposta dela veio cortante: “Nossa, vou ter que ler tudo isso?”
Fiquei meio sem graça e disse que valia a pena.
Quando ela começou a ler eu comecei também uma reflexão sobre o senso comum das pessoas.
Se fosse uma matéria sobre a novela das oito com certeza ela não se importaria com a quantidade de caracteres.
É vazio. Ela é um personagem que representa toda essa massa que se contenta com o pouco que lhes é oferecido.
Essa mesma colega de trabalho virou para mim, num dia desses, e disse que MPB não era cultura e sim o sertanejo e o country, que deveriam ser ouvidos por mim no meu humilde MP3.
Música country, que surgiu no Sul dos Estados Unidos, virou patrimônio nacional em seu mundo medíocre. Sertanejo, então, antes fosse o de raíz! Ela só ouve os que são versões de músicas estrangeiras.
Fiquei bestificada com a afirmação, mas não retruquei. Pensei: “Informação não é para todos”.
Mas não posso afirmar que ela é totalmente imbecilizada pela mídia, que fornece tudo mastigado. Ela lê notícias! Mas só as da internet, porque o texto é curto e rápido, não a faz pensar.
Ok, é injusto criticar os textos da internet, porque os leio e, para mim, são muito úteis na correria do dia-a-dia.
Mas ela não sabe o que é um livro. Certa vez, contou-me, ela pegou num livro, “Um tal de Brás Cubas, acho eu”. Desistiu nas primeiras páginas, afirmou ser muito complicado.
Leitora assídua da revista Capricho e da Tititi. Sabe de cór quais são os casais que mais “badalam” por aí e qual o acessório da novela que vai virar “modinha”.
Ela, por fim, terminou de ler a crônica. Interrompi meus pensamentos bruscamente quando ela estendeu o jornal de volta para mim.
“É, é legalzinha, mas segura o jornal porque é pra ‘mim’ ir lá falar com a ‘chefa’”.
Suspirei. Prometi a mim mesma que jamais voltaria a lhe ensinar a forma correta de falar. Informação não é para todos, é para quem merece recebê-la.