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Convivência Corporativa

In Uncategorized on Julho 7, 2008 at 7:13 pm

Quem nunca se deparou com pessoas contrárias a tudo o que lutamos para ser que atire a primeira pedra.

O causo foi esse: estava em minha mesa de trabalho lendo uma riquíssima crônica do Luis Fernando Verissimo. Virei para minha colega de trabalho e lhe estendi o jornal:

“Leia só que genialidade a desse cara!”

A resposta dela veio cortante: “Nossa, vou ter que ler tudo isso?”

Fiquei meio sem graça e disse que valia a pena.

Quando ela começou a ler eu comecei também uma reflexão sobre o senso comum das pessoas.

Se fosse uma matéria sobre a novela das oito com certeza ela não se importaria com a quantidade de caracteres.

É vazio. Ela é um personagem que representa toda essa massa que se contenta com o pouco que lhes é oferecido.

Essa mesma colega de trabalho virou para mim, num dia desses, e disse que MPB não era cultura e sim o sertanejo e o country, que deveriam ser ouvidos por mim no meu humilde MP3.

Música country, que surgiu no Sul dos Estados Unidos, virou patrimônio nacional em seu mundo medíocre. Sertanejo, então, antes fosse o de raíz! Ela só ouve os que são versões de músicas estrangeiras.

Fiquei bestificada com a afirmação, mas não retruquei. Pensei: “Informação não é para todos”.

Mas não posso afirmar que ela é totalmente imbecilizada pela mídia, que fornece tudo mastigado. Ela lê notícias! Mas só as da internet, porque o texto é curto e rápido, não a faz pensar.

Ok, é injusto criticar os textos da internet, porque os leio e, para mim, são muito úteis na correria do dia-a-dia.

Mas ela não sabe o que é um livro. Certa vez, contou-me, ela pegou num livro, “Um tal de Brás Cubas, acho eu”. Desistiu nas primeiras páginas, afirmou ser muito complicado.

Leitora assídua da revista Capricho e da Tititi. Sabe de cór quais são os casais que mais “badalam” por aí e qual o acessório da novela que vai virar “modinha”.

Ela, por fim, terminou de ler a crônica. Interrompi meus pensamentos bruscamente quando ela estendeu o jornal de volta para mim.

“É, é legalzinha, mas segura o jornal porque é pra ‘mim’ ir lá falar com a ‘chefa’”.

Suspirei. Prometi a mim mesma que jamais voltaria a lhe ensinar a forma correta de falar. Informação não é para todos, é para quem merece recebê-la.

Felicidade?

In Uncategorized on Maio 29, 2008 at 1:48 pm

Felicidade.

Como conseguiremos ser felizes se sempre, de alguma maneira, contribuimos para a infelicidade de outros?

Não há felicidade. E afirmo isso baseada no que vejo dia após dia na realidade que nos cerca.

Não aderi ao estilo jornalístico do Jornal Nacional que, como já foi mostrado por professores nossos, termina sempre com uma notícia boa para passar-nos a sensação de que “o mundo está acabando mas ainda há esperança”.

Não deixarei que essas imagens boas apaguem da minha mente que crianças morrem de fome todos os dias, e que eu, enquanto isso, joguei metade de um pão no lixo porque não aguentei mais comê-lo.

Isso não faz com que meu dia melhore, com que a minha capacidade de percepção seja anulada por imagens bonitas de novas crianças, gordinhas e sadias, nascendo. Essas imagens são frequentemente substituídas por menores de idade munidos de armas de fogo em favelas por toda a parte.

Não há esperança. Não para essas pessoas. E talvez não haja esperança para as pessoas que conhecem essa realidade e não a ignoram.

Não irei à igreja pagar o dízimo, ou seja lá o que o padre/pastor quer que eu pague. Esse dinheiro é revertido para o que? Construção de novos templos? E o que esses templos resolvem? Eles apenas oram pelas almas dessas pessoas que sentem na carne o sofrimento diário, achando que já fizeram o suficiente.

Não, não deitarei minha cabeça tranquilamente no travesseiro, quentinha debaixo da minha coberta, sabendo que na rua existem pessoas como eu, meus semelhantes, que passam frio.

Felicidade? Termo vago para momentos de satisfação.

Se os hipócritas conseguem assistir tranquilamente ao noticiário e depois beberem um copo de leite quentinho e irem para suas camas, lamento por eles.

A realidade é cruél e fria. E o poder que temos nas mãos é dizimado por essas mesmas pessoas que rezam pelos miseráveis, mas que pagam caro para fazerem bacalhoada na sexta-feira Santa.

Se o Cristo de vocês diz que “amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”, talvez devessem levar isso mais a sério e sairem de seus mundinhos limitados, na tentativa de enxergarem um pouco mais além. E não precisa ir tão longe, olhem em qualquer avenida. A pobreza e a miséria estão aí, na cara de vocês.

Por isso peço que contem até cinco, lentamente.

1… 2… 3… 4… 5…

Alguém acabou de morrer de fome.

 

Verdade Multifacetada

In Mídias Digitais on Abril 5, 2008 at 4:43 pm

Partindo da premissa de que o fato é apenas um e as verdade variam a verdade varia de acordo com a interpretação pessoal do indivíduo, juntamente com sua vivência e bagagem, é errado sustentar a imparcialidade não somente dentro do Jornalismo, mas também em qualquer julgamento que façamos em nossas vidas.

O conceito de imparcialidade é errôneo. Não exite existe uma só pessoa que seja totalmente imparcial, que não se deixe influenciar por experiências já vividas ou por opiniões pré-formadas, pré-conceitos.

O mais próximo que se pode chegar disso é através do conhecimento e informação. Se observarmos diversos pontos de vista podemos chegar a uma conclusão mais racional.

Portanto o conceito utópico de imparcialidade não pode, e nem deve, ser exigido. É uma busca constante por um objetivo ilógico.

O que é a verdade senão a liberdade de expressarmos nossas opiniões sobre um fato?

Fato este que deve ser narrado através de nossa opinião, da maneira mais imparcial possível.

(Final Irônico)