A Associação Mata Ciliar, uma das instituições especializadas em felinos no país, realizou com sucesso o nascimento de filhotes de jaguatiricas gerados em “barriga de aluguel”
O projeto desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Conservação para Felinos Neotropicais, mantido pela ONG Mata Ciliar, na cidade de Jundiaí, interior de São Paulo, concebeu os primeiros filhotes de jaguatiricas nascidos de uma transferência de embriões.
O consórcio da Jaguatirica Brasileira teve início no ano de 2002 como uma parceria de conservação entre a Associação Mata Ciliar (AMC) e a Associação Americana de Zoológicos e Aquários (AZA), com objetivo principal de identificar os pontos críticos para a conservação da jaguatirica brasileira e desenvolver uma estratégia de manejo que atendesse ás necessidades da conservação tanto in situ quanto ex situ.
Os filhotes são considerados os primeiros animais selvagens de proveta e os embriões, congelados há cinco anos, foram implantados no útero de oito fêmeas, obtendo sucesso em três. Desta experiência, nasceram no final de 2007, três filhotes de jaguatirica. Dois deles, nascidos de parto normal, passam bem. O terceiro, nascido de cesariana, está recebendo cuidados especiais, pois não pode ser cuidado pela mãe.
A técnica de transferência de embriões tem sido a solução encontrada por especialistas para a preservação de algumas espécies de animais em risco de extinção. Segundo a coordenadora de fauna da Associação Mara Ciliar, Cristina Harumi Adania, as oito espécies de felinos brasileiros estão ameaçadas de extinção em diferentes graus, e a jaguatirica é uma delas. “As populações de jaguatirica selvagens estão cada vez mais isoladas geograficamente, e com a contínua perda de habitat e pouco fluxo genético, correm um alto risco de extinção”.
A população de jaguatiricas em cativeiro serve como uma garantia contra a extinção da espécie, porém nos EUA os animais em cativeiro já são considerados genéricos, ou seja, sem representação genética válida para qualquer animal de vida livre. “Por outro lado no Brasil os animais de cativeiro são em sua grande maioria vindos de vida livre, constituindo primariamente de uma subespécie bem definida, a Leopardus pardalis mitis”, explica. Sendo assim, nossos animais possuem uma grande importância na conservação da espécie nos EUA também, visto que lá está praticamente extinta em natureza.
Para Cristina, projetos como este formam um banco de informações genético, alimentar, comportamental e fisiológico de qualquer espécie animal, o que possibilita uma maior chance de conservação dos animais.
