“Carne para todos. Carne para o mundo”, esse foi o tema do Congresso Internacional da Carne, realizado no ano passado em São Paulo. A ONG Vegetarianismo Ético, Defesa dos Animais e Sociedade (VEDDAS) marcou presença em frente ao local, onde seus manifestantes exibiram cartazes com mensagens em prol dos animais e distribuíram folhetos explicando como a pecuária acaba com o planeta.
Para chamar a atenção dos congressistas, ativistas nus e com um líquido vermelho pelo corpo, simulando sangue, ficaram deitados em bandejas de isopor, envolvidos em plásticos, como as bandejas de carnes ficam expostas no supermercado.
Atos como esses, considerados por mim, muito válidos para despertar um novo senso crítico na sociedade, ou em pelo menos em uma pequena parte dela.
Para as pessoas que defendem o meio ambiente e um tratamento mais ético aos animais, cada passo da produção da carne é marcado por destruição e sofrimento.
O processo começa (e é o começo do fim) com o desmatamento de grandes áreas verdes para a formação de pastos, cerca de 90% do desmatamento nas florestas tropicais são decorrentes de ações como essa. Será que teremos florestas de bois e porcos ao invés de árvores?
O desperdício de água também é imenso, pois são necessários cerca de 20 a 30 mil litros para produzir 1 kg de carne. Para a mesma quantia de trigo cultivado, é preciso apenas 150 litros. E aí, a alimentação vegetariana se mostra ambientalmente e economicamente mais viável.
E ainda posso citar a poluição das águas por excrementos de animais e o desperdício de energia durante todo o processo. Em seguida, o transporte e o abate, muitas vezes, não respeitam os animais e os submetem a dores e a uma morte horrível.
Essa realidade resulta em danos ao meio ambiente e à sociedade, mas a economia e a política atuais incentivam e apóiam essas ações, na maioria das vezes, sem medir o impacto ambiental.
Para a maioria da sociedade e para o governo, todo esse discurso pode parecer loucura ou utopia, mas para as milhares de pessoas no mundo que lutam em prol dos animais e do meio ambiente, isso é apenas um olhar diferente e consciente para o futuro.
Para finalizar, cito uma frase do chefe da tribo indígena Sioux (América do Norte):
“Quando a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último peixe for pescado, aí, sim, eles verão que dinheiro não se come”.