Comunicação e Tecnologia

Sapateiro: a profissão que resiste ao tempo

In Mídias Digitais on Julho 21, 2008 at 4:02 pm

Sapato velho é bem melhor, não machuca o pé...

Sapato velho é bem melhor, não machuca o pé...

O local repleto de sapatos e ferramentas é muito movimentado, os clientes entram e saem. Quando está no balcão, Ramos cumprimenta as pessoas que passam pela calçada, seu trabalho é conhecido na região e os amigos são muitos

 

O sapato deixou de ser um artigo de primeira necessidade, utilizado apenas para proteger os pés. Atualmente ele pode representar um estilo, uma tendência de moda e até um fetiche. Mas mesmo com toda a tecnologia empregada nas grandes indústrias de calçados nacionais e, uma infinidade de modelos que seguem as tendências mundiais, o hábito de levar os calçados usados ao sapateiro resiste a tudo isso. 
Ao invés de comprar sapatos ou sandálias novas, algumas pessoas preferem recuperar os pares já surrados, economizando dinheiro e, na maioria das vezes, os clientes ficam satisfeitos com o resultado.
O bairro da Ponte São João abriga um destes profissionais que com a sua arte, resistiram ao tempo. Manoel Jaime dos Ramos trabalha como sapateiro desde os 17 anos quando chegou em Jundiaí após vir de Pernambuco. Aqui foi acolhido por um irmão que tempos depois voltou para a terra natal e Manoel seguiu o seu caminho sozinho. Com alguma experiência em conserto de arreio, que é um conjunto de peças em couro para montaria, Ramos trabalhou em diversas fábricas de sapatos em Jundiaí. “Na época a Vulcabrás era forte na cidade”, lembra os tempos áureos das fábricas de calçados.
Em 1974, com conhecimento e sabedoria suficientes para abrir o próprio negócio, decidiu montar a sua sapataria. “Não agüentava mais trabalhar em firmas e parti para o negócio próprio”. Sua primeira sapataria funcionava na Rua Dino, na Ponte São João, mesmo bairro onde está instalado atualmente na Rua São Pedro, em sua quarta loja.
São décadas de trabalho e dedicação ao ofício que não esmoreceu no tempo, mas o sapateiro conta que apenas depois dos 62 anos conseguiu montar a sua loja e comprar a casa própria. “Hoje neste local, tenho a sapataria e em breve me mudarei para a casa ao lado, mas ainda faltam algumas reformas”, planeja Ramos.
Em seu local de trabalho as ferramentas lembram uma sala de costura misturada a uma oficina. Há carretéis de linha, pedaços de couro, tesouras, chaves de fenda, martelos, tintas, graxa, máquinas e muitos sapatos. Nas prateleiras e nos balcões sapatos fabricados pela Ramos Sapataria e também uma infinidade de pares de conserto, sem contar nas bolsas e cintos.  Uma das máquinas utilizadas no acabamento nos solados dos sapatos foi criada pelo próprio Ramos, devido a sua experiência nas fábricas de calçados. Além disso, há um mezanino com maquinário para “lacear” os calçados que são produzidos pela sapataria. Quem explica é Luciano Ramos, filho de Manoel e seu sucessor.
O sapateiro tem apenas um funcionário, um dos seus três filhos que escolheu acompanhar o pai na profissão. Luciano Ramos ajuda o seu pai com os consertos na sapataria desde os 12 anos de idade. “Comecei a ajudar o pai apenas aos sábados e depois fiquei direto com ele”, conta o filho.  Ambos se revezam entre os consertos e o atendimento dos clientes no balcão. O bom humor está presente em cada conversa e a impressão de que temos é que cada cliente é uma pessoa já conhecida por eles. E na maioria das vezes é mesmo.
A maior demanda na sapataria são os consertos em calçados masculinos e femininos, cintos, bolsas e malas, mas há procura também pelos sapatos e chinelos confeccionados por eles. “As botinas masculinas são as mais pedidas e são fabricadas em couro legítimo”, diz Ramos.
Seus clientes não são apenas moradores do bairro Ponte São João e redondezas, há também pessoas de outros bairros da cidade, como Anhangabaú e Vianelo. “Tem gente que vem de Várzea Paulista e até de São Paulo”, ressalta Ramos afirmando também que a melhor propaganda é a boca-a-boca. “Um cliente sai daqui e comenta com um amigo que gostou do serviço e o nome da sapataria se espalha”.
O volume de serviço mensal, segundo Ramos e Luciano, chega a quase 1000 trabalhos, entre consertos e fabricação de calçados. Os números mostram que a sapataria é bastante procurada e que a profissão de sapateiro não vai acabar tão cedo.

Só falta o que?

In Mídias Digitais on Julho 20, 2008 at 3:16 am

O que aconteceu na última segunda (dia 14) no Maxi Shopping é lamentável. As pessoas que passam para por lá tem três funções: trabalhar, comprar ou se divertir.
Mas o que se viu no começo da semana no Maxi foram momentos de cinema, não dos filmes do Moviecom e sim cenas de uma realidade brasileira, de um verdadeiro tiroteio que só não sei como não terminou em uma tragédia, ainda bem.
Pois infelizmente a realidade do Brasil e a que vimos no Shopping. Segurança Zero em qualquer lugar. Agora só faltam assaltar a Igreja Universal do Reino de Deus e a Catedral de Jundiaí. Tomara que não aconteça, mas não duvido que que pessoas que só querem o mal dos outros, roubar algo que não lhe pertence, algo que muitos conquistaram com muito suor e trabalho. Mas tem gente que quer levar de maneira fácil. Seja assaltando usando armas e metralhadoras, seja colocando o dinheiro no bolso sem declarar, não é “Senhores do Mensalão”.

Pos o que queremos é proteção que todos os dias quando saímos de casa. Mas quando colocamos o pé fora das nosssas residências, estamos nos se sentindo inseguros. E olha se sentimos seguros dentro de casa.

Convivência Corporativa

In Uncategorized on Julho 7, 2008 at 7:13 pm

Quem nunca se deparou com pessoas contrárias a tudo o que lutamos para ser que atire a primeira pedra.

O causo foi esse: estava em minha mesa de trabalho lendo uma riquíssima crônica do Luis Fernando Verissimo. Virei para minha colega de trabalho e lhe estendi o jornal:

“Leia só que genialidade a desse cara!”

A resposta dela veio cortante: “Nossa, vou ter que ler tudo isso?”

Fiquei meio sem graça e disse que valia a pena.

Quando ela começou a ler eu comecei também uma reflexão sobre o senso comum das pessoas.

Se fosse uma matéria sobre a novela das oito com certeza ela não se importaria com a quantidade de caracteres.

É vazio. Ela é um personagem que representa toda essa massa que se contenta com o pouco que lhes é oferecido.

Essa mesma colega de trabalho virou para mim, num dia desses, e disse que MPB não era cultura e sim o sertanejo e o country, que deveriam ser ouvidos por mim no meu humilde MP3.

Música country, que surgiu no Sul dos Estados Unidos, virou patrimônio nacional em seu mundo medíocre. Sertanejo, então, antes fosse o de raíz! Ela só ouve os que são versões de músicas estrangeiras.

Fiquei bestificada com a afirmação, mas não retruquei. Pensei: “Informação não é para todos”.

Mas não posso afirmar que ela é totalmente imbecilizada pela mídia, que fornece tudo mastigado. Ela lê notícias! Mas só as da internet, porque o texto é curto e rápido, não a faz pensar.

Ok, é injusto criticar os textos da internet, porque os leio e, para mim, são muito úteis na correria do dia-a-dia.

Mas ela não sabe o que é um livro. Certa vez, contou-me, ela pegou num livro, “Um tal de Brás Cubas, acho eu”. Desistiu nas primeiras páginas, afirmou ser muito complicado.

Leitora assídua da revista Capricho e da Tititi. Sabe de cór quais são os casais que mais “badalam” por aí e qual o acessório da novela que vai virar “modinha”.

Ela, por fim, terminou de ler a crônica. Interrompi meus pensamentos bruscamente quando ela estendeu o jornal de volta para mim.

“É, é legalzinha, mas segura o jornal porque é pra ‘mim’ ir lá falar com a ‘chefa’”.

Suspirei. Prometi a mim mesma que jamais voltaria a lhe ensinar a forma correta de falar. Informação não é para todos, é para quem merece recebê-la.